terça-feira, 19 de outubro de 2010

Em relação a ultima postagem. Se não podemos obter uma resposta satisfatória racionalmente sobre a origem do tudo. Então, talvez seja o caso de apelarmos para os paradoxos e beleza infinita dos versos de quem pensa com o coração.



No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
(Cecília Meireles)

“Vejam. Tudo começa no mistério do ‘Sem-Fim’. 
  E termina na ‘asa de uma borboleta’, no jardim”. 
                                                  (Rubem Alves).

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Palavras meio ditas

- O que aconteceu no início?
- No início era o nada.
- Mas onde o nada estava?
- O nada, SENDO o nada, não precisa ESTAR em lugar algum.
- Mas se ele não ESTÁ em lugar algum como pode ele SER alguma coisa, mesmo o nada?
- Nesse caso, ele (o nada) apenas é.
- Então o nada É, e se ele É algo isso significa que entre as coisas que o SER pode SER, também SE é o nada?
- Sim.
- Se é assim, então “É (o Ser) é nada e o nada também É (existe)”.
- Nesse caso sua pergunta não existiu.
- Então, o que aconteceu antes do nada?

- Inacessível a consciência.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Universo simbólico

“Grandes mentes discutem idéias; mentes medianas discutem eventos; mentes pequenas discutem pessoas.” 
Eleanor Roosevelt


Muitas vezes citei essa frase, um professor me disse que era de Albert Einstein, como essa informação veio de uma autoridade nunca a questionei, até hoje. Lendo uns blogs por aí... descobri que o crédito da frase é da esposa do Mr. Roosevelt, mulher genial, com certeza a frente de seu tempo. Sugiro o filme, Tuskegee Airmen para aqueles que quiserem saber mais sobre a genialidade de Eleanor Roosevelt.

Em relação ao conteúdo da frase, acredito que também a interpretava erroneamente, pois concordava com ela. Filosoficamente dizendo, partindo de uma postura idealista, tanto os eventos como as pessoas, ou coisas, ou seja lá o que for, são ideias. O homem vive num mundo de ideias, constrói um universo simbólico para morar. Tudo o que apreendemos do mundo, o fazemos em forma de ideia, através da linguagem. A árvore que vejo, não é uma árvore apenas, é a ideia de árvore que construo em minha consciência, partindo da sensação de ver uma árvore. Dessa forma, ao invés de lidar com as próprias coisas o homem está, conversando constantemente consigo mesmo, através dos pensamentos em sua cabeça.

Pra finalizar, um pensamento vindo da cabeça de Epíteto: "O que pertuba e assusta o homem, não são as coisas, mas suas opiniões e fantasias sobre as coisas." 

Por isso eu digo, todas as mentes tratam de ideias, discutem ideias, sejam ideias de coisas, ideias de pessoas, ou ideias de outras ideias, alguns, acreditem, pensam pensamentos. Logo concluo: se todas as mentes discutem ideias, então, todos temos grandes mentes!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010


De agora em diante, só pensarei. 
Não vou escrever uma linha,
Pois quando escrevo
Os outros entram no meu pensamento
e tem a pretensão de discutir
Minhas ideias.
O EGOÍSTA

Pensar é algo solitário, individual.
Escrever já o deixa de ser, 
Uma vez que as linhas 
Vão recebendo os pensamentos
em formas de palavras,
E as palavras, todas elas, ao nascerem
só tem um objetivo,
atingirem outros olhos.
O ALTRUÍSTA

quinta-feira, 16 de setembro de 2010


"Piernas.
Cerebro.
Contacto humano.
Cultura.
El prójimo a quien amar.
Ideales, moral, honestidad.
Dios.
És importante que desde pequeño aprenda bien como és todo."


(Quino)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

- O que aprendemos com uma pedra?
- O silêncio.
- O que aprendemos com o silêncio?
- A meditação.
- O que aprendemos com a meditação?
- Reflexão.
- O que aprendemos com a reflexão?
- Conhecimento.
- O que o conhecimento revela?
- A liberdade.
- Como alcançamos a liberdade?
- Através de Deus.
- Quem é Deus?
- Não se pergunta algo cuja resposta é impossível de ser dita.
- Qual a pergunta certa?
- Como sentir Deus?
- Como?
- Há muitos caminhos. Experimente começar pelo silêncio.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Entre rãs e suas vãs filosofias...

Num lugar não muito longe daqui havia um poço fundo e escuro onde, desde tempos imemoriais, uma sociedade de rãs se estabelecera. Tão fundo era o poço que nenhuma delas jamais havia visitado o mundo de fora. Estavam convencidas que o universo era do tamanho do seu buraco. Havia sobejas evidências científicas para corroborar esta teoria e somente um louco, privado dos sentidos e da razão, afirmaria o contrário. Aconteceu, entretanto, que um pintassilgo que voava por ali viu o poço, ficou curioso, e resolveu investigar suas profundezas. Qual não foi sua surpresa ao descobrir as rãs! Mais perplexas ficaram estas, pois aquelas estranha criatura de penas colocava em questão todas as verdades já secularmente sedimentadas e comprovadas em sua sociedade. O pintassilgo morreu de dó. Como é que as rãs podiam viver presas em tal poço, sem ao menos a esperança de poder sair? Claro que a ideia de sair era absurda para os batráquios, pois se o seu buraco era o universo, não poderia haver um “lá fora”. E o pintassilgo se pôs a cantar furiosamente. Trinou a brisa suave, os campos verdes, as árvores copadas, os riachos cristalinos, borboletas, flores, nuvens, estrelas... o que pôs em polvorosa a sociedade das rãs, que se dividiram. Algumas acreditaram e começaram a imaginar como seria lá fora. Ficaram mais alegres e até mesmo mais bonitas. Coaxaram canções novas. As outras fecharam a cara. Afirmações não confirmadas pela experiência não deveriam ser merecedoras de crédito, elas alegavam. O pintassilgo tinha de estar dizendo coisas sem sentido e mentiras. E se puseram a fazer a crítica filosófica, sociológica e psicológica do seu discurso. A serviço de quem estaria ele? Das classes dominantes? Das classes dominadas? Seu canto seria uma espécie de narcótico? O passarinho seria um louco? Um enganador? Quem sabe ele não passaria de uma alucinação coletiva? Dúvidas não havia de que o tal canto havia criado muitos problemas. Tanto as rãs-dominantes quanto as rãs-dominadas (que secretamente preparavam uma revolução) não gostaram das ideias que o canto do pintassilgo estava colocando na cabeça do povão. Por ocasião da próxima visita o pintassilgo foi preso, acusado de enganador do povo, morto, empalhado e as demais rãs proibidas, para sempre, de coaxar as canções que ele lhes ensinara... 
(RUBEM ALVES. O que é religião. 1981, p.73-73)