sexta-feira, 21 de maio de 2010

Deus capacita os escolhidos (?)



Penso que Deus capacita à todos.

Todos temos capacidades. Todos somos escolhidos para alguma(s) função(ões). Se digo que Deus capacita os escolhidos devo pensar: escolhido para quê?
Se respondo essa pergunta, saberei qual o sentido de estar aqui, saberei quais são as minhas capacidades. Todos somos escolhidos, todos temos capacidades.
Cada capacidade voltada para um objetivo específico. Se não descobrir qual é(são) o(s) meu(s) objetivo(s), nunca usarei a minha capacidade. Deus é bom... ele não dá. Ele já deu. Nós agora precisamos aprender/descobrir a como aplicar. "Conhece-te a ti mesmo", se não der... pelo menos tente.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Democracia ou Plutocracia?

Afirmam que vivemos em um país democrático. Demo (povo), Cracia (poder), nesse sentido o poder está na mão do povo. Será?
A plutocracia (do grego ploutos: riqueza; kratos: poder) é um sistema político no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico. Do ponto de vista social, esta concentração de poder nas mãos de uma classe é acompanhada de uma grande desigualdade e de uma pequena mobilidade. E então, o que define melhor o Brasil?
Até onde sei, somos governados por um bando de "filhos da ploutos"!

terça-feira, 13 de abril de 2010


“Tentei encontrá-Lo na cruz de Cristo, porém ali Ele não estava.

Fui ao templo dos hindus e até aos velhos pagodes chineses, mas

Dele não pude encontrar o menor vestígio.

Procurei nas montanhas e nos vales, porém nem nas alturas nem nas profundezas consegui encontrá-Lo.

Também não estava na Caaba, na cidade de Meca.

Questionei sábios e filósofos, mas Ele estava acima de sua compreensão.

Então, olhei para dentro do meu coração, e foi ali, onde Ele mora, que O encontrei.

Ele não pode ser encontrado em nenhum outro lugar!”

(Jalal-ud-din Rumi, poeta e místico persa do séc. XIII)

Civilização?


Quando nós, os Índios, caçamos o animal, comemos a carne toda. Quando procuramos as raízes, fazemos buraquinhos. Quando construímos nossas casas, fazemos pequenos buracos.

Quando queimamos a erva por causa dos gafanhotos, não arruinamos tudo. Sacudindo as glandes e as pinhas das árvores. Utilizamos apenas a madeira morta. O homem branco revolve o solo, derruba as árvores, destrói tudo. A árvore diz:
- Pare, estou ferida, não me faça mal.
Mas ele a abate e a corta.
O espírito da terra o odeia.
Ele arranca as árvores e enfraquece até suas raízes. Serra as árvores. Isto faz mal a elas. Os índios jamais fazem o mal, enquanto que o homem branco demole tudo. Explode as rochas e as deixa espalhadas pelo solo. A rocha diz:
- Pare, você me faz mal.
Mas o homem branco não dá a mínima.
Quando os índios utilizam as pedras, eles pegam as pequenas e redondas para fazer o seu fogo...
como o espírito da terra poderia amar o homem branco se em toda parte por onde ele passa deixa uma ferida?

(MCLUHAN T.C., Pieds nus sur la terre sacrée, p.21, Donoël, 1974)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Amor verdadeiro!


"Não me engano no amar. Ainda que aquilo que amo fosse falso, seria verdadeiro que eu amo as coisas falsas, mas não seria falso que eu amo". (Santo Agostinho)

sábado, 29 de agosto de 2009


"Os maiores sentimentos de amor afloram quando se está distante da pessoa amada"

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Nós que aqui estamos por vós esperamos


Frases de CEMITÉRIO... O que os mortos querem nos dizer?



Documentário de Marcelo Masagão, banhado por música melancólica e penetrante, retrata o século XX. Ao iniciar a obra, logo percebemos que se trata do relato visual de histórias, vemos muitas imagens de sepulturas, desse modo, no decorrer das cenas, somos levados a imaginar que estamos circulando por um cemitério, ideia que fica ainda mais clara quando lembramos do título do filme, "nós que aqui estamos, por vós esperamos". O sentido do título exprime em sua essência o FIM, o homem que "veio do pó" e ao "pó retornará", não importando o que fez ou deixou de fazer durante sua vida.
Trabalhando nessa perspectiva, Masagão utiliza imagens de pessoas famosas como Garrincha, e de cidadãos comuns, como trabalhadores de uma indústria, sem fazer distinção alguma - todos somos iguais - parece ser essa a ideia a ser transmitida. E sendo iguais, todos temos o mesmo fim e a mesma importância.
O filme traz cenas que cogitam mil interpretações. Encontramos desde o individuo que se limita a sobrevivência, o trabalhador da fábrica, que com seu salário jamais possuirá o carro que produz. Até imagens, que expressam o oposto, demonstram onipotência, poder, glória, ou pelo menos tentam, como no caso da explosão de um ônibus espacial. A impressão que se dá, é que temos exposto os vários olhares sobre o Homem, expressando muito mais que sua história, vemos seus sonhos, desejos e sentimentos.
Uma frase que marca as imagens é a do professor McLuhan; “os homens criam as ferramentas. As ferramentas recriam os homens". Muito reflexiva, quando se tem junto dessa frase, imagens de bomba atômica, guerras, sangue. O século da corrida espacial, da engenharia genética e de tantas outras maravilhas criadas pelo homem foi também o século da invenção das fórmulas da destruição em massa, do genocídio e da completa intolerância.
Mesmo com tantos meios de comunicação para aproximar os homens, nunca estivemos tão distantes e impessoais: o outro se tornou um estranho. Ciência e tecnologia não produzem necessariamente bem-estar e fraternidade.
Talvez Hobsbawm em “A era dos Extremos” nos ajude a fazer uma leitura dessa realidade, ao afirmar que o homem nada tem a se orgulhar, pois, sua concepção do mundo é um pecado, sua vida é somente trabalho e a morte é a redenção. O saldo final é irônico: hoje somos muitos mais, vivemos muito mais e em lugares mais inóspitos, controlamos e somos capazes de prever os cataclismos. Mas ninguém responde: para quê vivemos mais? Possivelmente para produzir mais riquezas que obviamente irão parar em mãos alheias às nossas.
Através das cenas de produção sistemática, entendemos que o grande marco de entrada do século em questão acontece em 1913, com o Fordismo, sistema de produção que buscava grandes lucros em pouco tempo, baratear o custo final através da exploração do empregado não é a novidade do referido século, contudo, o desenvolvimento de produtos em massa, somado a produção de “ideias” e “ideais” em massa, pelos meios de telecomunicações (rádio e televisão principalmente), resultam em um processo de alienação e desigualdade.
Muitos trabalhadores e poucos donos da produção, essas imagens são as que ficam no quesito economia, se antes tínhamos os escravos e os senhores, a partir deste século além dos escravos, temos os trabalhadores e o patrão.
Assim, podemos dizer que foi um século marcado por proporcionar muita condição de vida e de morte. Contradição? Não. Vida para quem, morte para quem? Temos a grande maioria de pessoas comuns, como nós, que doam suas vidas quase que sem perceber a atividades que nem sempre é o que buscam, que na maioria das vezes não nos tornam felizes ou orgulhosos. Será o homem dono de si? O século XX é marcado como sendo o da massa, do povo, multidão sem rosto e coração, usado na indústria ou na guerra segundo interesses de seus líderes (religiosos e/ou políticos).
Mas durante o século que se passou o povo não reagiu, ninguém fez nada? Algumas vezes, o povo descontente com a maneira como é tratado experimenta algo que consegue ser ainda pior, a ditadura. Tema, retratado pelas imagens fortes, música triste e cores sombrias. Por momentos obscuros do século XX, o pouco de liberdade que o povo usufruía, foi reduzida pelo uso do medo e violência.
A situação se complexifica, quando durante todas essas reflexões mergulhadas no filme, surge na tela a imagem de uma Alemanha enlouquecida, que se diz superior, pura. Uma espécie de lavagem cerebral domina a população, mais mortes, mais sangue, mais dor. O mundo só reage quando de alguma forma a economia é afetada.
Mas não é apenas de guerras que se pode falar, ao interpretar a obra de Marcelo Masagão, o universo retratado é muito mais amplo. O meio técnico-científico-informacional, identidade do nosso período contemporâneo, é retratado. O mundo deste século começa a se globalizar, podemos enfim saber o que acontece do outro lado do globo ou então acompanhar uma copa do mundo. O futebol já presente no documentário com Garrincha, mais uma vez se apresenta em cores vivas e imagens alegres. Futebol, ópio do povo?
A maior parte da população mundial tem algo em comum para compartilhar, em quase todos os lugares do globo homens e mulheres sofrem com a desigualdade, fome, carências e o pior de todos os males, a alienação. Como acalmar uma multidão global? Roma já trazia a solução com seus Cézares há muito tempo, “Panis et Circenses” é a resposta. A copa do mundo e sua falsa imagem de que se o time está bem, tudo vai bem. “Sintonize, se ligue, caia fora!”, essa frase é lançada por Masagão em meio a um mar de flashes que nos lembram a mídia.
O filme, no entanto, não esquece dos revolucionários, daqueles que lutaram pela maioria, pelos apertadores de parafuso, operários e homens do campo, enfim... o povo. Muitas guerras foram travadas com o povo, pelo povo e para o povo, Masagão relembra a revolução mexicana liderada por Zapata, o acontecimento mexicano é descrito como a primeira grande mobilização social da América Latina no século XX. Lembramos também de figuras mundialmente conhecidas como Gandhi e Che Guevara, contudo, para muitos, inclusive gente do próprio povo, “esses” – que se levantam contra o sistema – são considerados loucos, pessoas que vivem no “mundo da lua”. Loucos por pararem, pensarem, refletirem e agirem.
Em 1969 o festival de Woodstock coroa um momento de revolta e protesto, contra a guerra, contra o Estado Estadunidense, contra o modelo de vida do American Way Of Life, juventude protestando, século marcado pela cara de jovens que saíram à luta até no Brasil, será que o século XXI, vai manter o que teve de bom em seu antecessor?
Não posso parar pra pensar, afinal “tempo é dinheiro”! – uns dizem.  O século XX foi marcado pela revolução da velocidade, pelo instantâneo, grande mudança causou o advento do “rádio, eletricidade, aspirina”. A digitalização, a internet, a era da informação tem inicio no final do século em questão, e as relações humanas, onde ficam? Viram líquido, e escorrem para dentro de si mesmos. Aprendemos neste século a sermos individualistas, a pensarmos em nós, todo dia ouvimos falar em competitividade, ser melhor que o outro, tudo pelo “doce fedor do sucesso”.
A moral, a conduta, a família, tudo foi ganhando novos significados, morrendo aos poucos. O mundo hoje é mais liberal, “Liberté, Fraternité, Égalité”, a bandeira da revolução francesa ganhou novos horizontes nos últimos cem anos, porém, também ganha novos sentidos, pois todos somos “Livres” para trabalhar, somos irmãos que se exploram (amor fraternal?), e a “igualdade”, sim ela existe, homens, mulheres, crianças, todos iguais enquanto mão-de-obra barata.
O filme que nos deu combustível para escrever este texto, termina com indagações a respeito de Deus. Onde está Deus afinal, que vendo a humanidade caminhar para seu próprio fim nada faz. Uns o procuram nas forças da natureza, outros dizem que ele está nas Igrejas, outros ainda, acreditam que ele esteja no inferno. Enquanto alguns procuram, milhares de seres humanos estão à espera que o próprio Deus os encontre. Onde está Deus? “Deus está morto” – responde Nietzsche, filósofo alemão do século XX. Até Deus nós matamos nesse último século.