segunda-feira, 4 de abril de 2011

“Não importa o que fizeram de ti. Importa o que você faz do que fizeram de ti.” (Sartre)


Alguns pensadores afirmam: as estruturas nos prendem. Somos escravos do sistema. No entanto, Sartre nos dá uma luz para um pensar diferente. Por mais que estejamos presos – até certo ponto – às grades do sistema, ainda assim, a última palavra é a nossa. Por mais que as estruturas nos moldem de acordo com suas necessidades, ainda assim, a responsabilidade de “ser ou não ser” está em nossas mãos. Reflito o pensar de Sartre – “não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você" – talvez, pudéssemos tencionar o raciocínio: não importa em que classe social você nasceu, ou o que você aprendeu ou deixou de aprender na escola, não interessa se você está inserido no meio de marxistas ou anarquistas. Você é você? Ou você é o que fizeram você ser? “Não importa o que fizeram de ti. Importa o que você faz, do que fizeram de ti.” O ser humano é um ser pensante, simbólico, por isso livre. A razão é o que comanda nossa vida, é o deus, é a força que nos move. A ordem da vida não se apreende através dos sentidos, somente através de nosso juízo. Assim, “o juízo é o poder central do homem, (...) pois é a única coisa em que o homem depende inteiramente de si mesmo; o juízo é livre, autônomo e auto-suficiente” (E. Cassirer).


sexta-feira, 18 de março de 2011

Crente

       
Não consigo, não crer. Faço uma força, busco fatos, vejo o invisível. Creio no que vejo, mesmo não vendo nada. Que força é essa que me consome interiormente, aperta minhas tripas, faz meus olhos arderem. Olho o nada, vejo o invisível, até nisso a força reside. Como negar o que “não vejo”. Se não vejo, não creio. Mas mesmo não vendo, pois sendo invisível continua nascendo. Não vejo, mas simplesmente sei, está ali: em mim. Eu sinto.
Por isso não vejo, como posso ver o que não está à frente de meus olhos, mas atrás deles. Vejo melhor quando estou de olhos fechados. Deixa consumir, deixa estar, sente e vê, deixa Ser. Mas não veja como deseja ver, veja como Ele se mostra. O invisível é real, é mistério, é força que se alimenta da matéria-prima mais preciosa do universo, a FÉ.
Tenha FÉ e alcançará a visão do que guarda em seu interior. Coisas que nem imagina possuir se revelarão. Amigo, não tenha medo, conhece a ti mesmo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Você é o que você pensa!

Compartilhei com vocês pequenas ideias sobre universo, seus mistérios e mitos, tentei mostrar a dificuldade que temos em compreender aquilo que é maior do que nós. Quando há essa compreensão, passamos para o desafio de explicar através da linguagem a complexidade do que foi entendido. O mysterium fascinosum persiste.
Refletindo sobre isso, brinquei com meus pensamentos: talvez haja dentro de nós mesmos um universo a ser desvendado. Algo tão fascinante quanto o espaço das estrelas e galáxias, do espaço que está fora de nós, quiçá até mais sublime, pois estando dentro de nós, não existem leis físicas para ordená-lo. 
As ferramentas necessárias para expedições a esse possível universo interior estão ao nosso alcance. Curiosidade e paciência, talvez esses sejam os primeiros passos. Cada pessoa é um universo. Cada um de nós é possuído por uma força geradora de beleza e criatividade. Somos tão complexos e obscuros a nós mesmos, que não é a toa que o auge da sabedoria humana reside em assumir nossa ignorância sobre o que somos.
O ser humano, bicho nascido dos símbolos, animal cultural inventado pela força da Imaginação. Artes, ciência, religião, mitos... toda essa riqueza de invenções dentro de nós, nascendo em nosso universo interior. Tão grandioso é o processo criativo que esse universo tende a explodir, extrapolar as fronteiras de nossas ideias, através do big-bang da ação humana passamos a dar forma ao espaço exterior. Sonhamos novos universos, criamos deuses, contamos mitos. Nossa vida, nossas relações, o que somos ou sonhamos ser... é a construção aqui fora do que cultivamos lá dentro, em nosso universo interior.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Universo, religião, ciência e Alice


"Quando refletimos sobre a origem do Universo, imediatamente percebemos que devemos nos defrontar com problemas bem fundamentais. Como podemos compreender qual é a origem de “tudo”? Se assumirmos que “algo” criou “tudo”, caímos em uma regressão infinita; quem criou o algo que criou o tudo? Como podemos entender o que existia antes de “tudo” existir? Se dissermos que “nada” existia antes de “tudo”, estamos assumindo a existência de “nada”, o que implicitamente assume a existência de um “tudo” que lhe é contrário. Nada já é muito, como na história de Alice no País das Maravilhas, em que o Rei Vermelho pergunta a Alice: “O que você está vendo?”, e Alice responde: “Nada”. O rei, impressionadíssimo, comenta: "Mas que ótimos olhos você tem!”. Quando tentamos entender o Universo como um todo, somos limitados pela nossa perspectiva “interna”, como um peixe inteligente que tenta descrever o oceano como um todo. Isso é verdade tanto em religião como em ciência."

(A dança do universo, Marcelo Gleiser)

O Universo veio do nada

Os Índios Maori da Nova Zelândia, contam assim:




Do nada a procriação,
Do nada o crescimento,
Do nada a abundância,
O poder de aumentar o sopro vital;
Ele organizou o espaço vazio,
E produziu a atmosfera acima,
A atmosfera que flutua sobre a Terra;
O grande firma mento organizou a madrugada,
E a Lua apareceu;
A atmosfera acima organizou o calor,
E o Sol apareceu:
Eles foram jogados para cima,
Para serem os olhos principais do Céu:
E então o firmamento transformou-se em luz,
A madrugada, o nascer do dia, o meio-dia.
O brilho do dia vindo dos céus.

Mito Hindu - II

Encontra-se no Chandogya Upanisad, m, 19:
No início esse [Universo] não existia. De repente, ele passou a existir, transformando-se em um ovo. Depois de um ano incubando, o ovo chocou. Uma metade da casca era de prata, a outra, de ouro. A metade de prata transformou-se na Terra; a de ouro, no Firmamento. A membrana da clara transformou-se nas montanhas; a membrana mais fina, em torno da gema, em nuvens e neblina. As veias viraram rios; o fluido que pulsava nas veias, oceano. E então nasceu Aditya, o Sol. Gritos de saudação foram ouvidos, partindo de tudo que vivia e de todos os objetos do desejo. E desde então, a cada nascer do Sol, juntamente com o ressurgimento de tudo que vive e de todos os objetos do desejo, gritos de saudação são novamente ouvidos.


(Ovo Cósmico - Vladimir Kush)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A criação do mundo não terminou até que P’an Ku morreu. Somente sua morte pôde aperfeiçoar o Universo: de seu crânio surgiu a abóbada do firmamento, e de sua pele a terra que cobre os campos; de seus ossos vieram as pedras, de seu sangue, os rios e os oceanos; de seu cabelo veio toda a vegetação. Sua respiração se transformou em vento, sua voz, em trovão; seu olho direito se transformou na Lua, seu olho esquerdo, no Sol. De sua saliva e suor veio a chuva. E dos vermes que cobriam seu corpo surgiu a humanidade.
(Uma das várias versões do mito chinês de Pan Ku)